Turismo regenerativo: quando viajar também ajuda a conservar

Turismo regenerativo: quando viajar também ajuda a conservar

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Viajar pode ser uma experiência de descoberta, mas também pode gerar benefícios concretos para os territórios visitados. Quando pensado dessa forma, o turismo pode contribuir para a conservação e para o desenvolvimento local.  É nesse ponto que entra o turismo regenerativo: uma abordagem que conecta conservação ambiental, educação, geração de renda e valorização das comunidades locais.

Na prática, significa criar experiências turísticas que contribuam para a proteção da biodiversidade, fortaleçam as economias locais e ampliem o conhecimento sobre os territórios.

Entre seus principais pilares estão:

  • Conservação, educação e geração de renda, integradas à atividade turística;
  • Preservação e revitalização da biodiversidade;
  • Fortalecimento das culturas e comunidades locais;
  • Participação mais ativa do viajante nas experiências de conservação.

Mato Grosso do Sul reúne condições especialmente favoráveis para esse modelo. Com o Pantanal e outros biomas de grande biodiversidade, o estado vem aproximando turismo, ciência, cultura e conservação em iniciativas que mostram como esses campos podem trabalhar de forma integrada.

O apoio de instituições como a Embratur e a Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul (FundturMS – Visite MS) contribui para dar visibilidade a esse movimento e a projetos que associam a promoção do destino à valorização de seus patrimônios naturais e culturais.

A conservação como experiência

Um exemplo concreto é o trabalho do Onçafari, organização que atua na conservação da fauna brasileira por meio de pesquisa científica, turismo de natureza e educação.

No Pantanal, uma de suas frentes é a habituação de onças-pintadas e outros animais à presença de veículos turísticos, sem alterar seu comportamento natural. O processo permite que os animais sejam observados com maior frequência em safáris fotográficos, criando uma experiência de contato com a fauna e, ao mesmo tempo, gerando valor econômico para sua conservação.

A experiência também acontece em lodges parceiros, onde visitantes podem observar a fauna em ambientes naturais no Pantanal e em outros biomas brasileiros.

Por trás do avistamento existe um trabalho que vai muito além do turismo. O Onçafari investe em pesquisa científica e monitoramento das espécies, produzindo informações que ajudam a orientar estratégias de conservação.

É justamente essa integração que caracteriza seu impacto regenerativo:

  • Conservação: o turismo de natureza cria valor econômico para que os animais vivos e seus habitats sejam protegidos.
  • Geração de renda: a cadeia turística cria oportunidades para moradores locais, incluindo guias, motoristas, pesquisadores e profissionais que atuam nos lodges.
  • Educação: o contato direto com a fauna transforma a experiência do visitante em uma oportunidade de aprendizado sobre biodiversidade e conservação.
  • Valorização cultural e natural: a presença da onça-pintada como símbolo do território fortalece o vínculo das comunidades com a fauna e com os ambientes onde vivem.

Segundo dados divulgados pelo Onçafari, o trabalho já contribuiu para a habituação de mais de 50 onças-pintadas, ampliando as possibilidades de avistamento e pesquisa. A organização também expandiu sua atuação para diferentes biomas, incluindo Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica.

Quando arte, turismo e conservação se encontram

É nesse mesmo contexto que iniciativas culturais como o Jaguar Parade encontram espaço.

Ao transformar a onça-pintada em uma plataforma artística, a iniciativa aproxima diferentes públicos de uma espécie que representa a riqueza da biodiversidade brasileira. As obras levam a mensagem de conservação para espaços urbanos e turísticos, criando novas oportunidades de diálogo sobre a proteção da fauna e dos biomas.

A parceria com instituições ligadas ao turismo amplia esse alcance. Ao lado de projetos de conservação, pesquisa e valorização cultural, a arte ajuda a construir uma narrativa sobre o destino que inclui não apenas suas paisagens, mas também os esforços necessários para protegê-las.

Turismo que gera valor para o território

O turismo regenerativo depende de uma rede. Conservação, ciência, comunidades, empresas, instituições e visitantes participam de uma mesma cadeia, na qual a atividade turística pode contribuir para manter os recursos naturais e culturais que tornam cada destino único.

No Mato Grosso do Sul, experiências como as desenvolvidas pelo Onçafari, pelo Instituto Arara Azul e outras iniciativas de conservação mostram diferentes caminhos para essa integração.

Quando o turismo ajuda a financiar a conservação, gera trabalho, promove conhecimento e valoriza a cultura local, a viagem deixa de ser apenas uma experiência individual e passa a fazer parte de uma economia ligada à proteção do território.

É uma forma de conhecer o Brasil em que natureza, cultura e desenvolvimento caminham juntos, e em que conservar também pode ser uma experiência de viagem.

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