Turismo acessível: quando a experiência é para todos
Turismo acessível: quando a experiência é para todos
Viajar é um dos grandes prazeres da vida. Descobrir paisagens, conhecer culturas e viver experiências que ficam na memória são alguns dos motivos que nos fazem querer explorar novos destinos. Mas como garantir que essas experiências estejam ao alcance de todos, independentemente de suas condições físicas, sensoriais ou cognitivas?
O turismo acessível parte dessa premissa: criar condições para que todas as pessoas possam conhecer, circular e aproveitar os destinos turísticos com autonomia, segurança e dignidade. Isso envolve desde a infraestrutura dos espaços até a comunicação, a qualificação dos profissionais e a forma como cada visitante é recebido.
Em Mato Grosso do Sul, essa discussão vem ganhando espaço por meio de iniciativas que buscam tornar os destinos e as experiências turísticas mais inclusivos.
Mato Grosso do Sul: caminhos para um turismo mais inclusivo

Reconhecido pela riqueza de seus biomas e pela diversidade de suas experiências de natureza, Mato Grosso do Sul vem desenvolvendo ações para ampliar a acessibilidade em seus destinos turísticos. Em Bonito, um dos principais destinos de ecoturismo do estado, foram registrados 293.712 turistas em 2025, reforçando a importância de pensar em experiências que possam ser aproveitadas por todos.
A Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul (Fundtur MS), por meio do programa Turismo Acessível e Inclusivo, tem avançado em iniciativas de diagnóstico, sensibilização e capacitação do setor. Entre elas estão o mapeamento das condições de acessibilidade em empreendimentos de Bonito, Bodoquena e Jardim e a produção de materiais orientativos para profissionais que trabalham diretamente com os visitantes.
O objetivo é identificar barreiras e apoiar melhorias que considerem diferentes necessidades, incluindo acessibilidade física, comunicação inclusiva e atendimento a pessoas com deficiência.
A região da Serra da Bodoquena é especialmente significativa nesse contexto. Suas águas cristalinas, trilhas, cachoeiras e grutas oferecem experiências de contato com a natureza que podem ser ampliadas por recursos como audiodescrição, informações acessíveis e adaptações adequadas a cada atividade.
O trabalho também envolve a preparação das equipes. Afinal, a acessibilidade não depende apenas de rampas e estruturas físicas: passa pelo conhecimento dos profissionais, pela qualidade do atendimento e pelo respeito à autonomia de cada pessoa.
Acessibilidade também é uma forma de sentir

Essa compreensão aparece na própria maneira de apresentar o turismo sul-mato-grossense. Em uma campanha dedicada ao tema, a experiência em Bonito e na Serra da Bodoquena é retratada por meio de sons, texturas, cheiros e sensações, mostrando que o contato com um destino pode acontecer de diferentes formas.
A audiodescrição, os recursos táteis e a comunicação acessível ampliam as possibilidades de interação com os ambientes e ajudam a tornar a experiência mais completa para pessoas com deficiência visual e outros públicos.
Essa perspectiva também se estende à cultura e à arte. Museus, exposições e manifestações artísticas podem oferecer diferentes formas de acesso e participação, permitindo que mais pessoas se reconheçam como parte da experiência cultural.
É nesse encontro entre inclusão, cultura e sensibilização que a arte se torna uma forma de ampliar a participação e criar novas maneiras de vivenciar uma experiência. ganha um papel importante.
Jaguar Parade: arte que amplia formas de perceber
Durante a ABAV Expo, realizada em São Paulo entre 30 de setembro e 2 de outubro de 2026, a parceria entre a Fundtur MS – Visite MS e a Jaguar Parade ganhou expressão por meio de duas obras: uma onça-pintada criada especialmente para a marca e a escultura interativa Onça Tátil — Cores da Liberdade.
Criada pelos alunos cegos e com baixa visão do Instituto Benjamin Constant durante a Jaguar Parade Rio 2024, a obra foi concebida para proporcionar uma experiência sensorial que vai além da observação visual. Miçangas, materiais táteis, impressões das mãos dos artistas e um óculos de cestaria compõem a escultura, acompanhada de uma placa descritiva em braille e fonte ampliada.

A participação dos alunos na criação reforça o potencial da arte como espaço de expressão, autonomia e inclusão, ampliando as formas de interação do público com a obra.
A iniciativa também estabelece uma conexão com a missão da Jaguar Parade: utilizar a arte como plataforma de conscientização sobre a onça-pintada e a preservação da biodiversidade. Ao aproximar essa mensagem de experiências acessíveis, o projeto amplia as possibilidades de diálogo com públicos diversos.
Turismo e cultura para todos
A construção de destinos mais acessíveis depende da colaboração entre instituições públicas, empreendimentos turísticos, organizações sociais e iniciativas culturais. Nesse contexto, a parceria entre a Fundtur MS – Visite MS e a Jaguar Parade aproxima a promoção turística da inclusão, mostrando como diferentes iniciativas podem ampliar o acesso às experiências de natureza, cultura e arte.
Em Mato Grosso do Sul, avançar nessa agenda significa trabalhar para que mais pessoas possam vivenciar a riqueza natural e cultural do estado. Afinal, tornar uma experiência acessível é ampliar as possibilidades de participação e garantir que todos possam fazer parte dela.