Um Abridor de Letras: arte, identidade e legado na Jaguar Parade Belém

Um Abridor de Letras: arte, identidade e legado na Jaguar Parade Belém

imagem da série um abridor de letras da jaguar parade belém com patrocínio de Itaú

Nos rios da Amazônia, os barcos carregam nomes que não passam despercebidos. As letras pintadas em seus cascos são cheias de cor, sombra, paisagem e movimento. Esse ofício, conhecido como abrir letras, faz parte da cultura ribeirinha e transforma cada embarcação em um suporte artístico que circula diariamente pelos rios.

Foi a partir desse universo que surgiu a websérie Um Abridor de Letras, produzida para a Jaguar Parade Belém, com patrocínio do Itaú. Ao longo de quatro episódios, a série acompanha o processo criativo de Augusto Amorim, artista da Ilha do Marajó, morador de Ponta de Pedras, convidado a pintar uma onça da Jaguar Parade levando para a escultura as referências visuais, as cores e os símbolos do lugar onde vive.

A onça criada por Augusto recebeu o nome de “Amazônia”, mas acabou ganhando também um apelido carinhoso dado pelo próprio artista: “Princesinha do Marajó”. A obra reúne o repertório visual do abridor de letras, um saber tradicional amazônico com mais de um século de existência, transmitido de geração em geração pelos rios da região. Ao levar essa linguagem para a escultura, Augusto traduz um ofício histórico para um novo suporte, preservando sua origem e seu ritmo, agora em diálogo direto com a paisagem urbana.

Episódio 1: Raízes e Identidade

O primeiro episódio apresenta o início da trajetória de Augusto Amorim. Ainda jovem, ele se encantou ao ver um barco passar pelo rio, chamando atenção pelo colorido e pelos detalhes das letras pintadas. A imagem ficou marcada e despertou o interesse em aprender aquele ofício.

Ao se mudar para Ponta de Pedras, o contato com os estaleiros foi imediato. O começo veio com trabalhos básicos, preparando superfícies, lixando e observando. Desde cedo, o objetivo era claro: chegar às letras.

Quando surgiu a chance de pintar, Augusto aceitou, mesmo com poucos recursos e materiais simples. A partir daí, os trabalhos começaram a se multiplicar. Um barco indicava outro, até que abrir letras se tornou sua principal atividade. Foi com esse ofício que construiu sua vida, criou os filhos e se reconheceu como artista.

▶ Assista ao Episódio 1 e conheça as origens de Augusto Amorim e sua relação com o abrir letras.

Episódio 2: O Gesto e a Estética

O segundo episódio acompanha o processo de trabalho de Augusto. As letras pintadas nos barcos não se limitam à tipografia. Elas incorporam paisagens, jogos de cor e elementos do cotidiano ribeirinho. Céus, rios, reflexos e transições de luz aparecem integrados às letras, formando composições que ocupam todo o casco.

Antes de começar uma pintura, há observação do espaço e conversa com quem encomendou o barco. As preferências entram na escolha das cores, enquanto a composição nasce da experiência acumulada ao longo dos anos.

O episódio também mostra como esse saber circula dentro da própria família. Os filhos acompanham o processo desde cedo, começam ajudando em tarefas simples e, com o tempo, passam a pintar. Assim, o ofício segue ativo e compartilhado no cotidiano.

▶ Assista ao Episódio 2 e acompanhe de perto o gesto, a técnica e a estética do abridor de letras.

Episódio 3: Natureza e Inspiração

Neste episódio, a paisagem aparece como parte constante do trabalho. Augusto pinta a partir do que vive. Ilhas, rios, pedras, palmeiras e casas à beira d’água surgem naturalmente nas imagens que ele cria. São cenas que fazem parte do dia a dia e que acabam se transformando em pintura.

Esses elementos também estão presentes na onça da Jaguar Parade. “Amazônia”, ou “Princesinha do Marajó”, reúne fragmentos desse território e funciona como um retrato visual da região. A escultura carrega cenas que remetem à vida ribeirinha e à relação direta com a natureza.

Quem observa a obra encontra detalhes que falam do Marajó e, mais especificamente, de Ponta de Pedras, mesmo sem conhecer o lugar.

▶ Assista ao Episódio 3 e descubra como o território se transforma em imagem e narrativa.

Episódio 4: A Onça Completa e o Legado

O último episódio apresenta a onça finalizada e reflete sobre a circulação desse saber.
Enquanto os barcos permanecem, em grande parte, nos rios da região, a escultura ganha novos espaços e amplia o alcance da estética do abridor de letras.

Augusto comenta sobre a importância de manter esse ofício vivo. Houve um período em que encontrar pintores de letras se tornou difícil. Hoje, o ensino do saber em oficinas, viagens e projetos culturais ajuda a fortalecer essa prática e a despertar interesse em novas gerações.

A participação de Augusto Amorim na Jaguar Parade Belém marca o encontro entre tradição e arte urbana. A onça “Amazônia”, também chamada de “Princesinha do Marajó”, passa a funcionar como registro visual de um saber que continua ativo, ligado ao território e em constante transformação.

▶ Assista ao Episódio 4 e veja a obra finalizada, além das reflexões sobre legado e continuidade.

Ao levar o abrir letras para a Jaguar Parade Belém, o projeto cria uma mudança de escala e de contexto. Um saber que circula cotidianamente pelos rios passa a ocupar o espaço urbano, mantendo suas referências visuais, seu ritmo e sua origem territorial. Esse deslocamento foi possível com o patrocínio do Itaú, que vem apoiando ações que conectam arte, território e impacto socioambiental na região.

Nesse encontro, a Jaguar Parade Belém se estabelece como espaço de circulação e visibilidade para práticas culturais ligadas ao território. “Amazônia”, ou “Princesinha do Marajó”, ocupa a paisagem urbana como registro de um ofício vivo, transmitido no cotidiano e sustentado pela continuidade do fazer.

O percurso da obra se completa no leilão beneficente da Jaguar Parade. Ao ser arrematada, a escultura destinou recursos ao Onçafari, conectando o gesto artístico à conservação da onça-pintada e dos ecossistemas que ela habita. Assim, o saber de Augusto Amorim retorna ao território em outra forma: a arte que nasce da paisagem passa a contribuir diretamente para sua preservação.

O resultado é uma obra que amplia o alcance desse saber sem romper com sua origem, conectando arte, território e memória em um mesmo gesto. Esse olhar atento aos processos criativos e aos contextos onde a arte acontece também atravessa outras iniciativas apoiadas pelo Itaú em Belém, como o Projeto Habitat — que você pode conhecer em nosso blog.

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