A onça-pintada como espécie migratória: o que o reconhecimento da ONU representa e o que esperar da COP15, que acontece em março no Pantanal
A onça-pintada como espécie migratória: o que o reconhecimento da ONU representa e o que esperar da COP15, que acontece em março no Pantanal
Você já imaginou uma onça-pintada cruzando fronteiras entre países? Talvez não como aves que atravessam continentes ou baleias que cruzam oceanos. Mas, para a ONU, a onça-pintada (Panthera onca) é oficialmente considerada uma espécie migratória, e isso muda completamente a forma como podemos protegê-la.
Onça-pintada: a viajante que conecta países
Em 2020, a onça-pintada foi incluída nos Apêndices I e II da Convenção sobre Espécies Migratórias (CMS), também conhecida informalmente como Convenção de Bonn, pelo local onde foi assinada, na Alemanha, em 1979.
A inclusão aconteceu durante a 13ª Conferência das Partes da CMS (COP13), realizada em Gandhinagar, Índia, e passou a vigorar oficialmente em 22 de maio de 2020. Isso significa que a onça-pintada passou a ser reconhecida como uma espécie migratória cujo manejo e proteção exigem cooperação internacional entre os países que compartilham suas populações.
Teoricamente, uma onça poderia dormir no Brasil, caçar na Bolívia ou se deslocar pelo Paraguai. A natureza não reconhece linhas no mapa, e a CMS reconhece isso, incentivando os países a cooperarem na proteção de habitats e corredores ecológicos.
Proteger a onça-pintada significa proteger rios, florestas, pantanais e centenas de outras espécies, tornando-a uma verdadeira espécie-guarda-chuva da América Latina.
COP15 da CMS: conectando países pelo felino
Entre 23 e 29 de março de 2026, Campo Grande (MS) será a sede da COP15 da Convenção sobre Espécies Migratórias. Este é o principal fórum internacional dedicado à conservação de espécies que cruzam fronteiras, incluindo a onça-pintada.
O evento reunirá governos, cientistas, organizações da sociedade civil e povos indígenas para discutir:
- Corredores ecológicos e conectividade transfronteiriça
- Proteção de habitats essenciais
- Cooperação entre países para monitoramento e pesquisa
- Estratégias de combate a ameaças como perda de habitat, caça e mudanças climáticas
Para a onça-pintada, a COP15 é especialmente importante. Cada decisão sobre conectividade e preservação de territórios impacta diretamente sua capacidade de circular livremente, mantendo populações saudáveis.
O Brasil, com uma das maiores populações de onça do mundo e o Pantanal como habitat estratégico, assume papel central nesse debate.
Um exemplo concreto de como a conservação transfronteiriça funciona na prática é a Jaguar Rivers Initiative, que conecta esforços de organizações do Brasil, Argentina, Bolívia e Paraguai.
A iniciativa cria corredores ecológicos ao longo da Bacia do Paraná, protegendo rios, florestas e habitats naturais e permitindo que a onça-pintada e outras espécies circulem com segurança entre diferentes biomas.
No Brasil, o Onçafari contribui com sua experiência em conservação e proteção de propriedades com vegetação nativa, ampliando a conectividade regional e fortalecendo a biodiversidade da América do Sul.
Jaguar Parade: traduzindo conservação em arte

Enquanto conferências internacionais lidam com tratados e metas, a Jaguar Parade leva o debate para a rua.
As esculturas de onça coloridas criam “corredores urbanos de consciência”, tornando visível o que acontece nos corredores ecológicos: espaço, liberdade e proteção.
Cada escultura é um convite para refletir: a onça precisa de espaço para circular, e nós precisamos de florestas vivas para continuar existindo.
Além disso, os recursos arrecadados com os leilões das obras vão direto para ONGs que trabalham na proteção prática de corredores ecológicos e conservação da espécie, transformando a sensibilização em impacto real.
Um futuro sem barreiras
O reconhecimento da onça-pintada como espécie migratória pela ONU reforça uma ideia simples e poderosa: a biodiversidade não respeita fronteiras políticas.
Na COP15 da CMS, governos e especialistas trabalham para criar um mundo onde a onça possa se mover livremente entre países. Nas ruas, a Jaguar Parade transforma essa ideia em experiência concreta, emocionante e visual.
Seja por meio de tratados internacionais ou de esculturas espalhadas pelas cidades, a mensagem é a mesma: garantir que o maior felino das Américas continue livre para caminhar, conectando territórios, países e pessoas.